A raiva nem sempre aparece apenas como agressividade. Muitas vezes, ela é uma reação intensa diante de sentimentos difíceis, como frustração, mágoa, sensação de injustiça, humilhação ou decepção. Por isso, mesmo depois de um momento de irritação ou explosão emocional, é comum surgir um aperto no peito e a vontade de chorar.
Isso acontece porque a raiva pode funcionar como uma forma de defesa diante de emoções mais dolorosas. Quando a pessoa se sente ferida, desrespeitada ou sobrecarregada, a irritação pode aparecer primeiro, como se fosse uma tentativa de proteção. O choro, nesse contexto, revela que por trás da raiva também pode haver tristeza, vulnerabilidade e necessidade de acolhimento.
Além disso, chorar pode ter um efeito regulador no organismo. As lágrimas estão associadas à liberação de substâncias como a ocitocina e a prolactina, que podem contribuir para reduzir a tensão, desacelerar o corpo e trazer uma sensação de alívio. Ainda assim, para algumas pessoas, chorar em momentos de raiva pode gerar constrangimento, principalmente quando já estão emocionalmente expostas.
Luísa Buhr Ciulla – Psicóloga em Porto Alegre
Atendimento psicológico voltado ao acolhimento, compreensão das emoções e cuidado em saúde mental.
